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Nativo de Mococa, a Macondo da Mogiana (não sabe onde fica Macondo? Leia "Cem anos de solidão" que você descobre)
"Amar e mudar as coisas me interessa mais" (Belchior)

terça-feira, 10 de junho de 2014

GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA

Na escola em que trabalho, umas duas semanas antes da Páscoa deste ano, me solicitaram que contribuísse com uma caixa de bombons para a cesta de Páscoa que a escola estava fazendo, como brinde de uma "Ação entre amigos" (leia-se rifa) que a escola promovia na época, para arrecadar dinheiro para a construção de um bicicletário para os alunos. Quando fui interpelado pela professora mediadora, ela me pediu que trouxesse alguma coisa para colaborar. Me recusei, afirmando que eu não estava nem sabendo da iniciativa, e nem havia sido consultado. Como vou poder colaborar com algo que foi decidido sem a minha participação, e sem ouvir a opinião dos meus colegas? Como decidiram isso sem ao menos consultar os professores numa reunião de ATPC? Porque isso vem imposto de cima pra baixo? Resultado: não colaborei, a rifa foi vendida, o dinheiro arrecadado e o bicicletário nem foi discutido com ninguém....

terça-feira, 25 de março de 2014

Um caso de poesia...

...de Carlos Drummond de Andrade



Já que estamos na onde de estudar e refletir sobre a inclusão, segue um poema do grande Drummond, que contempla sim, o tema, de forma lírica...


Referência Bibliográfica:
ANDRADE, Carlos Drummond de (1997), Histórias para o Rei, Rio de Janeiro: Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A. 155

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A queda da árvore


Sólida que era
          fera

portava-se segura
             dura

ao mesmo tempo flexível
               incrível

agora sem saída
          caída

com suas raízes
       matrizes

                        Bela
                      que era
                                       florescia
                                        aparecia

                                 sem consciência
                                       opulência
Nada nobre fora
   e noves fora
     nada tinha
                                          do mogno a rigidez
                                          do cedro a beleza
                                          do ébano a cor
                                          do baobá a grandeza                
de ipê a nitidez
do flamboyant a força
da seringueira a seiva
da jabuticabeira o flexível

                   nunca dera flores
     e            frutos nunca vieram

Solitária
Sábia
Silenciosa

         me deitei em sua sombra
                        belo dia
            
             subi em sua galhada
                         uma vez
                 
e vi de cima o que ela via


                 compartilhamos a vista 

               e me trouxe cheiro de infância
  

amei sua despretensão


Nunca quis nada 

             e presa ao chão,
foi presa dos sem-noção


Nunca buscou sair
          do seu lugar

em lugar disso, buscava o céu

 e

em silêncio filosofava


                 não por vontade
                 mas por instinto


sentia o chamado das nuvens
a puxá-la e negar Newton

e fez de si
         si mesma



nunca fora notada
    e fora isso
nunca fora lembrada
     agora
                   esquecida
                       caída

no fim de tudo
lhe resta virar adubo

                 não por querer
                 mas por sobrar

                                           como destino


31/01/10
03:37:23


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

dos eternos


CLIQUE EM PLAY PARA LER, POR FAVOR...


eterno é o tudo
entediado pelo vazio do nada
dissolvente decorrente
que se esvazia no cerne da matéria

eterno é o quase
quantificado pela tentativa frustrada
obstante absolutamente
na luta amarga na alma etérea

eterno é o onde
simplesmente representado no fio da meada
figurando sintomaticamente
em matemática exata adversa sincera

eterno é o mundo
que se inunda cria copia em ilusões desenfreadas
feras necessariamente
para o bem-viver em meio à merda

eterno é o qualquer
quer qual seja a moléstia a ser tratada
sem cura aparente
no pare procure o puro antes da queda

eterna é a esperança
utopia de tentar o melhor do que não se tem
indo além
da fuga fugaz nos aditivos da noite e do dia

eterna é a busca
da vida e sobrevida da razão aguerrida
em toda a lida
das vezes rotina talvezes a sina

eterna é a vontade
do ser e ter e pretender sem tentar entender
sempre a querer
o mais do mesmo no dia de viver

eterna é a ilusão
em vão saída escape de trajeto e caminho
junto ou sozinho
no tino e no mote de rumo e destino

eterna é a arte
que parte e maltrata a essência do artista
se expressa maldita
na dita obra composta e inaudita

eterna é a morte
forte fonte única uníssona amada
aguardada amante mediadora
do âmago amargo andrógino e ardido

éter essência
é ter no seio
de si e ser
e ter na mente
tão somente
esta semente
eternamente


 






2005-24/11/2010
00:08:50












terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um conto de quase amor (ou um sonho impossível de lobos feridos)



Sabia que sua hora estava chegando, sabia que a vida poderia lhe abrir portas, e numa dessas portas, ela apareceu na sua frente. E antes da hora chegar. A princípio tão comum e ordinária, que parecia sem atrativos. Ao longo dos dias, percebeu nela um tesouro escondido, percebeu então uma disposição então adormecida em querer esse tesouro, custe o que custasse.
Queria ela a todo momento, seu mundo entrou em parafuso, sua vida desandou. Deixou de lado alguns projetos, algumas coisas a fazer e passou a tê-la como prioridade, embora não o demonstrasse da maneira mais adequada.  Achou que talvez fosse amor, que não sentia há séculos por nenhuma das quais se aproximou antes, afinal ela era o que ele sonhava em uma mulher: personalidade, vontade de viver e batalhar, caráter.
Mas ela tinha dentro de si também uma amargura alimentada por frustrações: sim, um passado existia e nela se continha como o sangue que corria em suas veias. E esse passado, como sempre, traz consigo uma bagagem pesada, um fardo doido e doído, que machucava-a sempre quando pensava no homem com quem estivesse e a afastava da relações mais duradouras. Sim, ela queria amar, queria dar amor, e acima de tudo, queria ser amada como uma princesa dos contos de fadas que lia à noite pro seu filho, mas o lobo que estava entro dela não permitia. E ele, no momento, estava mais pra ogro do que para príncipe.
Como muitos de nós, sabotou a própria felicidade, pra viver de certa piedade alheia. E assim vivia seus dias, a acreditar em uma história nova que pudesse surgir, mas com um pragmatismo cruel de cortar as coisas, no momento certo de se defender do amor que queria tanto.
Ele, com um passado tão pesado quanto o dela, mas de vida retardatária por anos perdidos em tanta coisa que sonhou e acreditou e se frustrou também, e muito mais perdedor que ela, sabia que era a encarnação do fracasso, talvez ele o mais perdedor dos homens que conhecia, mas nunca perdera a vontade de parecer melhor, buscar o melhor, e vestia uma máscara que o impedia de ser quem era, pois precisava se mostrar forte a tudo e a todos, afinal dependia desse ópio pra viver, outros ao seu redor também, como ela dependia de seus vícios. Ambos tinham uma semelhança, e essa semelhança talvez os repelisse.
Só que ele percebeu algo até então ainda não percebido. Como na matemática, menos com menos dá mais, e sacou que o menos dele somado com o menos dela só poderia se tornar algo positivo, maior e melhor, apesar dos altos e baixos que previa nessa situação, de viver com mais baixos do que altos. Como pra baixo todo santo ajuda, ele um descrente nas religiosidades e nesses mesmos santos, tinha certeza de ser o santo próprio, porque já estava ao rés-do-chão. Se sentia um pé-rapado, inferior, um zero à esquerda por não poder proporcionar a ela o que ela merecia(na verdade, se sentia assim sempre, por isso a máscara).
Sobrava a certeza de nela ter os empurrões que precisava, até porque sabia que no pouco tempo junto com ela, não tinha mostrado ainda o que tinha de melhor, seja por falta de oportunidade, seja por falta de auto-estima em mostrar-se bom e se sentir amado de volta, com medo do mesmo amor.
Eram dois lobos, perdidos e perambulantes, à procura do que não poderiam ter. E nem manter. Ela não conhecia tanto o lobo que a devorava tão suavemente, mas era dependente dele. Ele conhecia seu lobo e lidava bem com ele, mas quase sempre se machucava em batalha. Ele acreditava nas pessoas, um idealista do bem comum, no lobo bom que se digladia com o lobo ruim, deixava seu lado mau sempre adormecido pro sofrimento alheio e alimentava o lobo bom, deixando pro lobo ruim apenas a auto-flagelação sua de cada dia.
Ela, numa mistura de vaidade (queria sempre, mesmo que por pouco tempo, se sentir bem, despertar um homem pra si mesma é sempre bom e alimenta o lobo bom, mesmo que por apenas vaidade), e então vivia de se alimentar dessa situação pra se sentir bonita, atraente, mulher desejada. Ela queria se jogar ao abismo das paixões, mas sempre lhe faltava a coragem de fechar o olhos e dar o passo adiante: isso implicava em matar aos poucos o lobo ruim. Abria a primeira camada, mas trancava as outras mais internas, porque lá dentro dessas camadas dela se refugiava, o seu lobo ruim estava à espreita pra devorar tudo e tomar o controle. Ergueu muros, eletrificou cercas, cercou o lobo, e assim não permite a domador nenhum encará-lo. Mesmo que um bravo domador apareça, seus dispositivos automáticos, as armadilhas armadas pelo lobo do lado de fora estarão sempre prontas.
Ele se ressentiu ao perceber isso, tentou se vitimizar como era de sua índole, mas acordou. Hoje sabe que podia ter feito a diferença, mas ela também o sabe e não se permite pensar assim. Pra se esconder. Pra alimentar o lobo ruim. Ele, se tranqüiliza. Ela quebrou o seu orgulho, machucou a alma dele. Mas nas cicatrizes dele, que já são tantas, nele que já morreu tantas vezes e não desistiu de viver por isso. Mais um baque, mais uma ferida, no meio de tantas, não farão tanta diferença. Mesmo sabendo que ela não quis tentar o que sempre esperou de alguém: ser entendido e compreendido. Ele, tão louco, tão diferente, mais uma vez, julgado como igual, nivelado por baixo. E dessas feridas sempre soube cuidar.
Era ela um tesouro. Um diamante. E como todo diamante, escondido na terra, na lama, precisava ser escalavrada, era preciso abrir a terra, se sujar, se ferir, se rasgar pra rasgar o chão, ele estava disposto a isso. Até porque, mesmo que pra ele soasse normal e pros outros arrogância, se sentia como ela. Ele poderia ser um tesouro pra ela ou pra qualquer outra que se dispusesse aos aparatos de escavação. Mas o processo é longo e difícil, e ambos, cansados de tantas guerras e lutas pela sobrevivência, hoje empunham suas bandeiras brancas. E fogem da batalha. E ambos os lobos ruins se deliciarão com a covardia de cada um. Afinal, sofrimento novo é iguaria fina. 


15/11/2011
15:41

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Poética

















a ideia é a ideia paixão é a ideia é estar apaixonado por uma idéia ideia assim com acento eu gosto paixão ideal ou ideologia de estar apaixonado poridéia


poesia

se faz com palavras não com idéias mas pra mim a ideia é a voga o que rola e o que mais tá tendo neste mundo vasto mundo onde tantas pedras em caminhos e galáxias e estrelas dois e dois são sim quatro num mundo exato que não vivo e transpiro e repito que piro antropofágico e enrosco essa rosca soberba e bebo bobo da chama da graça da fonte ser que jorra eus em profundas colisões de despachos em boutiques dos amanhãs em logros e diamantes que cintilam em pescoços de mendigos e saber estar apaixonado é a paixão de estar e ser e viver e sentir e sonhar e esperançar-se um algo melhor em si que busca estar em si e não acha o ser em si e sentir-se sem si e ninguém alguém algures seja e nenhures ficaqui em si e sê são enquanto essa paixão te aguarda e te pega e estupra teus poros e masturba tua pele e fricciona tua mente dentro da cabeça e esqueça que outra coisa há em ti e te segura que a vida vai ser dura e perceba e se meta e se remeta ao verso em prosa e reverso sem fortuna e sem glória e sem consideração e sem amor só tesão e força dentro de ti que expulsa palavras e te manda às favas da vida mundana e mesmo assim não se assemelhas a esses mundos e charadas serão sempre as coisas e os sentidos em suma soltos serão as vozes dessa cabeça que agora é muitos eu em você e você nunca saberá se é vossa mercê vosmecê ou você ou ocê ou cê ou c e então não haverá conclusão pois a linguagem é limítrofe é muralha da expressão e impede o que se impele ao pleno mas pra que tentar ser pleno se em plena visão a dúvida se instala e estala a vida e a pouca parte de desejo de sentir que sobra é muito e intensa e sopra forte dentro e fora de dentro pra fora de fora pra dentro estímulo não falo de sexo falo de arte que bate e lateja o traço da pena que rabisca mas eu escrevo no computador mas sinto que isso é minha pena e a minha plena convicção de artista que tento ser me faz louco assim e não tente entender e aceite o que há de ser ver e veja ouça tateie fale cheire pense ame lute que isso te faz eu em ti ou ti em ti mesmo não sei por que quero abraçar talvez o mundo seja pequeno e nem se sabe por onde começar talvez a luta seja em vão outros diziam mas lutarei essas palavras me maltratam assim como aquela dona que um dia não me deu bola mas assim mesmo se faz se cria se projeta si em algo fora de si e se faz então criação e veloz e atroz nos dá voz e é nóis nessa fita que agora é minha e de mim se afasta e me sacia as partes que não consigo decifrar então preencher com fôlego deve haver um débito e um crédito em cada coisa que se cria os preços são a custa que se paga nesta vida descabida e fudida e mal-paga e gratuita mas se for assim de graça não tem graça e a graça que nos abençoa é o que voa no vão das coisas que vão de nós a eles e quem são eles são talvez aqueles e quem são aqueles são os que cantam a canção ou seja eu e tu e ele e nós e vós e eles e tudo e todos e a gente que vamos e a gente que fumos e a gente que iremos e em intentos quereremos mais e tentaremos mais e talvez nunca chegaremos nem lá e sim em lugar nenhum e aqui acolá e cá e por entre e dentro vem de baixo pra cima de cima pra baixo de ladinho e não se deve esquecer que tem de ser de verdade mas qual verdade a verdadeira ou a que se apresenta que aparenta ser a mais indigesta e compreender é que são elas e se desdobrar e redobrar esforços sem força pra resistir e resistência é coisa elétrica então o poema é elétrico desperta fagulhas em mentes que podem ou não brilhar é essa fagulha de criação ética estética que pode ser imoral ilegal ou engordar mas que se danem os nós não quero a fruta e sim o sabor e virar estranho se perceber em suas entranhas o quão aberração se torna e se fode quem não entender. E ponto.

 14/10/2009
23:34

por Ricardinho Sales

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Exata solidão

por Ricardinho Sales













Ah! Esta solidão!

Esse estar sozinho em qualquer caminho
esse tráfego por entre e dentro
essa balbúrdia sem alarde no subúrbio
esse querer junto aos outros submundos
essa quimera em utopia metafórica
essa entropia proposital estrambótica
esse daltonismo ao conhecer alguém
esse chão que se pisa sem ser dono


essa sordidez acesa que acena
essa coisa grande que não amansa
essa mansidão virtual de mula manca
esse eufórico som agudo inaudível
essa vontade falsa do incrível
esse talho na alma do cerne ferido
essa esperança moribunda e febril
esse sorriso de brilho fosco à luz da lua
esse cambalear constante pela rua


esse sentimento de posse do nada absoluto
essas cores que evocam um paraíso perdido
essa luz que afaga a falta de sentido
essa plenitude preenchida no vazio
essa água turva que solidifica o rio
essa suavidade mórbida no cocoruto
essa chama acesa remetendo ao luto
essa saudade do que ainda nem sei
essa trindade religiosa que é lei


essa turba de calma na tempestade
esse delírio tênue no cós da realidade
isto que introspecta e semimata
essas possibilidades que não se abarcam
essa parede intransponível na emoção
feito campo-de-força no empedrado coração
que de tanto líquido mole que bate
se fura em sensibilidade e arde
machuca e corrói a sombra
dessa solidão que teimo em viver.



17/04/09
12:19:41

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Apelo Lírico


Ricardinho Sales

Cala-me!
Antes que eu fale
      o dever de dizer.

Sufoque-me!
Antes que eu inspire
      o ousar de fazer.

Odeie-me!
Antes que eu ame
      o dom de sentir.

Aborte-me!
Antes que eu nasça
      o direito de morrer.
Emudeça-me!
Antes que eu grite
      a fúria de ser.
 

Cegue-me!
Antes que eu veja
      o amor a surgir.

Prenda-me!
Antes que eu divulgue
      o livre de viver.

Estupre-me!
Antes que eu goste
      o contigo aprender.

Ampute-me!
Antes que eu possa
      o texto escrever.

Castre-me!
Antes que eu transe
      o lance de conviver.

Mate-me!
Antes que eu preencha
      o vazio de existir.


 
Então

                faça de mim

         Tua

                 morada.


26/02/10
19:00:14









quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O suicida


por Ricardinho Sales

 
Tergiversou. Quase defenestrou-se. Sacou do cérebro as razões e motivações para entender porque estava fazendo aquilo. Por um instante, se arrependeu de arrepender-se e quis continuar com tal atitude. Registrou num flashback o momento, marcou aquela página no livro de sua vida e seguiu adiante. Escureceu. A noite já estava adulta quando veio o sono. Mas não queria dormir. Não era notívago nem insone. Apenas normal. E era isso que não suportava. Viu-se ao espelho, odiou-se. Cortou os pulsos, deixou o sangue encher a banheira até a metade. Como demorava a morrer, entrou na mesma com o secador de cabelos ligado. Ao sentir o choque sanguíneo, se arrependeu novamente, mas ainda assim, virou o copo de veneno de rato com uísque que havia preparado.



Tentou sair, mas estava fraco. A eletricidade restringia seus movimentos. Lerdo como uma lesma manca, conseguiu se levantar. Quando se firmou com dificuldade 10 os pés, viu-se novamente ao espelho: pálido, cara de morto, o sangue jorrando.



Foi aí que escorregou no visgo, bateu a nuca na quina da banheira. A cabeça abriu, mais sangue verteu. A partir dali, deixara de existir. O seu gás já havia subido.



No atestado de óbito, a causa mortis foi definida como traumatismo crânio-encefálico. O que deu crédito à sua justificativa suicida no bilhete tradicional:







“Tudo o que eu tento fazer sempre dá errado.”







2005

domingo, 4 de setembro de 2011

Poema Galáctico


por Ricardinho Sales





E qual quasar que pulso
  feito supernova  querendo
                   pretendo
   universos criar





E aqui acolá deveras (e à vera)
   arte que bate
                       lateja o trejeito
rebusco e rabisco e busco no
                    lusco
               e no fusco

abro broto tonifico fico cooptado
                        isso
mexe que remexe e me eu (trans)
                          viro
a página buraco negro
de matéria: minha antimatéria
      escrito nessas estrelas
na velocidade um pouco sem luz


         escuro brilho

        que acho ser
        galáxia minha do cerne ao meu redor
                               orbita

o som desse vácuo
            viajante   
                   de partícula em partícula
atomicosou e serei
                               meu Deus que quero tanto.










09/09/2008
12:12:39